Woody Allen na Europa: Meia Noite em Paris


Caminhando pelas margens do Rio Sena, um pensativo Gil Pender (Owen Wilson) se perde entre questões que ele não tem coragem de responder: ser um roteirista de sucesso na Califórnia ou realizar o sonho de ser escritor, em Paris? Casar com Inez ou abandonar tudo para ficar com Adriana? Viver no século XXI ou transportar-se para os anos 20, aqueles marcados por uma Geração Perdida e conhecida como a Era do Jazz?
Antes das respostas, vamos entender o que aconteceu.

Antes dos problemas aparecerem, Gil era apenas o noivo de Inez (Rachel McAdams) e viajara para a França para acompanhar os futuros sogros numa viagem de negócios. Apaixonado por Paris e seus arredores, ele leva Inez para conhecer o último refúgio de Monet, a casa (e os famosos jardins) do pintor impressionista em Giverny. Gil declara à noiva todo o encantamento que a Cidade-Luz exerce sobre ele e como gostaria de ficar mais tempo por lá e escrever o seu tão desejado livro.

Já no Hotel Bristol (rue du Faubourg St.Honoré, 112), Inez tenta persuadir Gil a esquecer a ideia, que ela considera maluca, de deixarem os Estados Unidos para viverem na França.

As diferenças entre o casal se acentuam quando eles saem para passear por Versalhes com amigos de Inez, Carol e o pedante Paul (Michael Sheen). Além de deixar claro que acha o amigo o máximo em sabedoria, Inez expõe o noivo para o casal e fala sobre o seu livro, assunto que para Gil é um tabu.

Provar para a noiva que pode ser tão brilhante quanto o seu rival, Gil consegue numa visita do quarteto ao Musée de l´Orangerie (Place de la Concorde). Lá,  entre Monets, Renoirs, Picassos e outros gênios da pintura, Gil deixa todos boquiabertos com os seus conhecimentos sobre a tela de Picasso, aquela "que tem universalidade, mas não objetividade", segundo Gertrude Stein.

O que Gil não imaginava é que todo o aborrecimento e tédio vividos seriam substituídos por noitadas de festas, bebidas e mulheres. Umas para olhar e impressionar-se, como Zelda e Linda, esposas, respectivamente, de Scott Fitzgerald e Cole Porter. E uma outra, para apaixonar-se: a estudade de moda Adriana (Marion Cotillard).


Gil não conseguia acreditar na sua sorte: tivera o privilégio de voltar no tempo e conhecer os seus idolos literários e musicais, daquele que ele considerava o melhor período para se viver em Paris: a década de 20. Conhecer Hemingway (Corey Stoll) e ter o seu livro lido por Gertudre Stein, a pedido do 'papa', foi o climax! A festa promovida pelos Fitzgeralds foi realizada no Musée des Arts Forains, número 53 da Avenue des Terroirs de France.

Gil se apaixona por Adriana que, apesar de ser amante de Picasso e receber a atenção de Hemingway, corresponde ao sentimento do ingênuo escritor.

Desnorteado, ele busca a opinião da guia bilíngue do Museu Rodin (interpretada por Carla Bruni): "é possível um homem amar duas mulheres ao mesmo tempo?". O museu fica na Rue de Varenne, 79, residência do pintor até a sua morte.

Promovida a 'personal interprete', a esposa de Sarcozi lê para Gil um texto que garante ao escritor que pode avançar o sinal com Adriana. A leitura não podia ser feita num lugar mais agradável: no Parc Jean XVIII, atrás da Notre Dame. Neste momento decisivo, Gil responde às perguntas que tinha em mente quando caminhava pelo Sena. Ele decide mudar de vez para a década de 20 e entregar-se à paixão de Adriana.

As coisas não saem bem como Gil imaginava. No passado, entre ele e a Belle Epoque, a estudante de moda prefere a segunda opção. Além disso, ele recebe um  recado de Hemingway de que Inez estaria lhe traindo. Sem uma mulher e nem a outra, Gil decide, finalmente, dar um rumo novo para a sua vida...


... ele vai morar na Paris do seu 'presente' e deixar o passado, e às suas charmosas festas, para trás. Olhar a Torre Eiffel, desde a Ponte Alexandre III, pode ter contribuído para a sua decisão.

Como não poderia faltar uma mocinha na vida do nosso herói, Gil reencontra Gabrielle, uma jovem parisiense que trabalha numa lojinha 'vintage' e que, assim  como ele, não se importa de molhar-se e acha Paris mais bonita quando está chovendo. Um belo final, não acha?

Woody Allen conseguiu superar todas as expectativas de audiência e de crítica com "Meia Noite em Paris". Para o crítico de cinema Christian Petermann*, com esta produção, o diretor novaiorquino reconquistou  muitos fãs perdidos e conseguiu a simpatia de milhares de outros novos. Para mim, tão fã de Hemingway e Fitzgerald quanto Gil Pender e Woody Allen são, este filme foi um presente cinematográfico.
Assista-o e faça uma boa viagem! 

Fotos do filme: divulgação

Comentários

  1. Fran,

    Mais uma postagem maravilhosa!!!Seus artigos me levam a relembrar locais visitados e o que mais importante, resgata imagens e lembranças que estão arquivadas na mente. Woody Allen foi surpreendente nesta criação.

    Valeu!
    Giba

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    1. Giba,
      Muito bacana saber que você pôde relembrar sua viagem através desta postagem. Gostei muito de seu comentário. Obrigada. Abçs.

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  2. Fantástico. Lendo seu texto, me deu vontade de rever esse filme maravilhoso do Allen e revisitar todos esses lugares. Paris é uma cidade maravilhosa, e Allen fez um filme à altura. Você fez um curso com o Christian? Também fiz, mas foi na Oficina Oswald de Andrade. Ele é ótimo. Abs.

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    1. Ele tornou-se o meu filme favorito de Allen - rs! Fiz o curso com Christian na Casa do Saber sobre o novo cinema argentino. O cara é fera, viu!!! Bjs, Fran

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